domingo, 21 de dezembro de 2008

Eu mudo o assunto, mas em silêncio me pergunto por qual calçada andam seus passos . Meus sonhos, seus braços e todos os laços em pedaços, me confundem e às vezes nem mesmo sei dizer se estou acordada .
Talvez não seja nada a não ser um outro pesadelo do qual em breve eu poderei me esquecer . Uma ilusão de uma cabeça confusa por um coração cansado, tão cansado de se confundir. Talvez, quando abrir meus olhos novamente tudo isto chegue a um fim.
E toda a dor será levada embora, lavada tal qual os pecados, os perjúrios e as mentiras que dissemos para nos salvar.
Não haveriam gritos nem a necessidade forçada de um silêncio constrangedor e gelado, do qual me fiz refém.
Eu não estaria oca e teria em mim outra vez pulsando, aquilo que me sacode e me faz ter certeza que estou viva.
Eu ainda teria você.

Eu sigo adiante, mas em segredo sinto a falta do que ficou pelo caminho . Meus dias, suas noites e tantas histórias em memórias que se confundem e se fundem entre o real e o imaginário. É, você foi a maior das brincadeiras , a fantasia de carne e osso que eu vi surgir e depois partir sem sequer dizer adeus.
Talvez o silêncio mesmo que frio, seja melhor do que um punhado de palavras insossas ditas sem força numa tentativa civilizada de despedida. Um grito mudo, invisível que soltei enquanto me virava as costas. Talvez um dia você o escute.
E quem sabe assim, entenda que ao meu modo eu nunca deixei de te amar.
Não haveriam dúvidas nem meias certezas, e pro bem ou pro mal, pelo menos uma vez a verdade crua e bruta se imporia entre nós.
Eu não estaria mais no escuro e teria enfim um caminho claro por onde ir, sem armadilhas e círculos que me trouxessem sempre para um mesmo velho lugar.
Eu seguiria com ou sem você.

Eu escrevo sobre novos amores, mas com saudade me lembro dos seus olhos nos meus. Minhas vontades, seus sorrisos e todos os defeitos perfeitos que me tiravam o sono e o ar. Uma ilusão de uma cabeça confusa por um coração cansado, tão cansado de se confundir...
Talvez tenha sido melhor assim, algumas coisas ficam muito mais bonitas no papel.
E no meio de tantas reviravoltas, tropeços e lapsos, de alguma forma encontrei em mim forças para caminhar. Posso não ter saído ilesa nem imune , mas de um jeito ou de outro, eu saí .
Não haveriam lágrimas nem cicatrizes, mas sem sequer pestanejar, faria tudo outra vez. Por ter sido puro, genuíno e latente, mas principalmente por ter sido amor.
Eu não estaria onde estou sem seus passos, pois em parte, eles me trouxeram até aqui. Então eu mudo de assunto, sigo adiante e escrevo... mas uma parte de mim ainda reluta em te deixar partir. Alheia, indiferente e apesar do que quer que aconteça,
eu vou lembrar de você.

Nenhum comentário: